sexta-feira, 18 de julho de 2008

Mae - Just Let Go



(...)

Are you
Are you falling for me?
Like I
Oh, I'm falling for you...

There's an old oak tree
We can swing and sway
We'll lock arms and lay
(You're so far away)
It's just you and me
We can get away

(...)



{Música de hoje. Perfeita!}

quinta-feira, 17 de julho de 2008

PARTE V: Embarque



Ela desceu do taxi com os olhos cobertos por grandes óculos escuros. Tinha a área próxima ao nariz levemente avermelhada. Parou em frente às portas automáticas do aeroporto e contemplou o movimento do ambiente até o “seu” taxi partir. Não olhou para trás. Apenas carregava uma pequena mala de mão quase imperceptível perto das outras. Decidiu, por fim, desafiar suas pernas travadas a se movimentarem.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

PARTE I - Incógnita



A campainha tocou. Ela estava à espera de seu, talvez, novo assistente. Pelo que conversaram ao telefone, traçou um perfil barato tomando como parâmetro os clichês comportamentais na época em que o entrevistado nascera, a entonação que dera as palavras, do timbre de voz, gírias e vícios de linguagem pronunciados.

Ela sempre agia de forma peculiar além de falar muito pouco, fato responsável pelo desconcerto de todos os entrevistados anteriores. ‘Este é satisfatório’, pensou consigo. Marcou aquele encontro prévio para examinar o rapaz antes de dar a palavra final.

Quando entrou no apartamento não surpreendeu a anfitriã. Era exatamente como ela imaginara. Foi capaz até de acertar sua roupa com pequenos detalhes. Da informalidade do botão aberto do colarinho até a cor de camisa escolhida para aquele tête-à-tête profissional.

Examinava-o com certa superficialidade. Também era fácil de reparar que, mesmo tendo cinco anos a mais, ele se sentiu infinitamente desconfortável pela presença feminina no recinto. Ela notara, mas não fez questão alguma de confortá-lo. Falava apenas o necessário. Era um tipo angelical transformado em megera intelectual bem cuidada.

sábado, 12 de julho de 2008

TERAPIA

- Um pouco de boa sorte. – Pensou.

Tinha um potencial muito além daquelas entrelinhas iniciais. Era movida a dedicação, organização, comprometimento e uma pitada de talento. Parte pelo seu gênio indomável e influências literárias desde a infância. Tinha um senso crítico apurado, ninguém era capaz de negar. Outra influência primordial para a mistura satisfatória era o nascimento. Neta de político de direita, filha de militantes de esquerda, pôde contemplar, desde o berço, várias facetas do invólucro parlamentar-social deste país. Cresceu entre pessoas diferentes de si mesma, um pouco perdida, um pouco assustada. No começo, se escondia atrás dos óculos cafonas mergulhados nas páginas de mais um romance do século XVIII-XIV. Jane Austin, de preferência.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Nova era

Começou.
Liberdade.
Tudo que queria.
Agora tenho e não me arrependo.
Ainda bem.

sábado, 7 de junho de 2008

As coisas vão mudar.
vão mesmo.

domingo, 1 de junho de 2008

Quase um diário

Tá, vamos começar do zero, ok?
Nenhuma história funciona. Nada funciona na sua vida? O que você faz? Tenta mudar!
Sou a loca garota da limpeza vendo filmes toscos pra passar o tempo sem fazer os trabalhos necessários para ganhar nota!
É a nota. Claro, o sarcasmo e a ironia não são apreciados nas minhas aulas de técnicas literárias, meu professor simplesmente disse que não dou pra coisa, assim, simples assim. Além disso, ele não aprecia pessoas irônicas como modo de vida. Gosta de ser brega e transparente. Como se fosse possível. Você estaria motivado depois disso? Não tenho vontade de escrever. É tudo involuntário, sabe? Entraria num bar qualquer e encheria a cara! Moraria em outro país. Mudaria de faculdade, de identidade. Sei lá... Tô na fase do casulo, talvez tenha algo em comum com os cinco anos. Cinco. É isso mesmo. Já se passaram quase cinco anos. Compraria coisas sem utilidades e observaria pessoas fúteis, como eu mesmo pareço, comprando suas coisas. Observaria a vida dos outros. É o que mais gosto de fazer nas horas vagas. É tão interessante... Parece um grande jardim zoológico. E comprei a porcaria do jornal, já ia esquecendo desta observação. Fiz meu pai sair de casa pra comprar o jornal com a matéria maldita, e a foto. Guardo, recorto, sei lá. Rasgar é que não vou. Não estou preparada, disso tenho certeza. E isto aqui não faz o menor sentido. Não é pra fazer mesmo. Só estou escrevendo um bando de coisas inúteis. Os momentos que lembro, sei lá. O melhor do dia se resume a uma conversa boba sobre um filme água com açúcar com alguém mais familiar impossível. Não sei o que quero. Grito? Não, dramático demais. Não sou mais assim. Nunca fui. Era uma personagem. Bem, esqueçam. Vou sair. Comprar coisas inúteis agora. Depois escrevo se tiver vontade.